correr em jejum
21/05/2023 Por Loja Anabol Off

Correr em jejum emagrece? Entenda os mitos e verdades por trás dessa prática

A ideia de correr em jejum como forma de potencializar a queima de gordura e, consequentemente, auxiliar no emagrecimento ganhou adeptos nos últimos anos. Muitos acreditam que, ao praticar exercício aeróbico sem ter se alimentado, o corpo seria “forçado” a utilizar a gordura como principal fonte de energia. Mas será que isso é totalmente verdade? A seguir, veremos como funciona o processo de queima de gordura, os prós e contras de correr em jejum e se essa estratégia é realmente eficaz na perda de peso.


Por que correr em jejum?

A lógica por trás de correr em jejum parte do pressuposto de que, ao acordar, as reservas de glicogênio (principal forma de armazenamento de carboidratos no organismo) estariam mais baixas por conta do longo período sem se alimentar. Dessa forma, o corpo recorrerá à gordura como fonte primária de energia.

Embora faça sentido do ponto de vista biológico que haja um aumento na oxidação de gorduras em jejum, isso não significa que correr sem comer seja a solução definitiva para o emagrecimento. O corpo humano é complexo e envolve variáveis como intensidade do treino, estado nutricional de longo prazo, adaptação do metabolismo e até fatores genéticos.


1. Como o corpo usa energia?

Antes de falar diretamente sobre jejum, é fundamental entender como o corpo obtém energia durante a corrida:

  1. Carboidratos (glicogênio e glicose): são a fonte de energia mais acessível e rápida durante atividades físicas de intensidade moderada a alta.
  2. Gordura: em intensidades mais baixas e treinos de maior duração, o corpo tende a oxidar mais lipídios.
  3. Proteínas: uso como energia é geralmente mínimo, mas pode aumentar em situações extremas (jejum prolongado, dieta muito restritiva, baixa disponibilidade de carboidratos).

Quando você corre em jejum, realmente há um aumento na taxa de oxidação de gorduras no momento do exercício. Contudo, isso não se traduz necessariamente em maior perda de peso ao final do dia se, por exemplo, você ingerir mais calorias do que gasta nas refeições seguintes.


2. Benefícios potenciais de correr em jejum

  1. Maior uso de gordura como combustível
    • De fato, há estudos que indicam maior mobilização de ácidos graxos quando o treino é feito em jejum, pois o corpo tem menos glicose disponível.
  2. Praticidade
    • Para quem tem rotina apertada, acordar e correr sem precisar preparar refeições pode ser mais simples, ajudando na constância de treinos.
  3. Sensação de leveza
    • Alguns corredores relatam se sentirem mais leves, sem o desconforto gastrointestinal de se exercitar logo após comer.

3. Riscos e desvantagens

  1. Queda de desempenho
    • Sem estoque de glicogênio reabastecido, muitos sentem falta de energia para sprints ou treinos de maior intensidade.
  2. Possível perda de massa muscular
    • Em casos de jejum prolongado e exercícios intensos, o corpo pode recorrer também aos aminoácidos (músculos) como fonte de energia, afetando a massa magra.
  3. Hipoglicemia
    • Correr sem se alimentar pode levar a quadros de tontura, fraqueza e até desmaios em indivíduos sensíveis ou inexperientes.
  4. Compensação calórica posterior
    • Se a fome aumentar muito após o exercício, pode haver excesso de consumo calórico nas refeições seguintes, anulando parte do déficit criado.

4. Emagrecimento: mais do que o estado de jejum

Para perder peso de forma saudável, a chave é consistência e equilíbrio no déficit calórico. Não basta apenas correr em jejum; é preciso:

  1. Manter uma dieta balanceada
    • Ingerir a quantidade adequada de nutrientes e controlar calorias ao longo do dia.
  2. Exercícios combinados
    • Alternar treinos de alta intensidade (HIIT) com sessões aeróbicas regulares, e incluir musculação para preservar massa muscular.
  3. Descanso adequado
    • Sono e recuperação são essenciais para o metabolismo e para evitar desequilíbrios hormonais.
  4. Exames e acompanhamento profissional
    • Uma avaliação com nutricionista, médico ou educador físico pode personalizar o programa de acordo com necessidades específicas.

5. Dicas para quem deseja correr em jejum

  1. Avalie a intensidade do treino
    • Se for um exercício de intensidade moderada, pode ser viável. Para treinos longos ou intensos, considere fazer uma refeição leve antes.
  2. Fique atento aos sinais do corpo
    • Sensação de fraqueza, tontura ou enjoos são indícios de que essa abordagem pode não ser adequada para você.
  3. Hidratação
    • Mesmo em jejum, beba água antes de sair para correr, mantendo o corpo hidratado.
  4. Não exagere na duração
    • Se decidir correr em jejum, comece com treinos mais curtos (20-30 minutos) e veja como se sente, aumentando gradativamente caso se adapte bem.
  5. Refeição pós-treino
    • Nesse caso, é crucial repor nutrientes após a corrida, ingerindo proteínas e carboidratos de qualidade para recuperação e suporte da musculatura.

Conclusão

Correr em jejum pode sim aumentar a utilização de gordura como fonte de energia durante o exercício, mas isso não garante, por si só, um emagrecimento mais eficaz. O que realmente importa para perder peso é manter um déficit calórico consistente e equilibrado no dia a dia, aliado a um programa de treinos adequado ao seu perfil e objetivos. Além disso, cada organismo reage de maneira particular: algumas pessoas se sentem bem ao treinar em jejum, enquanto outras sofrem com falta de energia ou enjoos.

Portanto, se você deseja testar a corrida em jejum, faça-o de forma gradativa e com acompanhamento profissional, garantindo que essa prática seja segura, eficiente e compatível com o seu estilo de vida. No final das contas, a decisão deve se basear em como seu corpo responde e se a abordagem realmente contribui para atingir suas metas de saúde e forma física.