
Cutting: Guia Completo para Perder Gordura e Manter Massa Muscular
No universo do fisiculturismo e da musculação em geral, o cutting é a fase na qual se busca reduzir o percentual de gordura corporal, mantendo a maior quantidade possível de massa muscular. Essa abordagem é frequentemente adotada após um período de ganho de massa (bulking), quando o objetivo é evidenciar a musculatura conquistada. A seguir, você encontrará as principais estratégias e recomendações para um cutting bem-sucedido, incluindo planejamento alimentar, treinos específicos e considerações gerais.
1. O que é Cutting?
No cutting, o propósito é entrar em déficit calórico (ingerir menos calorias do que o gasto energético diário), mas de maneira controlada, a fim de preservar os músculos construídos ao longo do tempo. Assim, diferentemente de uma simples dieta de emagrecimento, o cutting deve ser planejado para otimizar a queima de gordura sem sacrificar a massa magra.
Princípios fundamentais
- Déficit calórico moderado: reduzir calorias de forma lenta e gradual, evitando perda de massa muscular.
- Manutenção de proteína elevada: consumo adequado de proteínas para ajudar a preservar músculos.
- Treino resistido regular: manter estímulos intensos de musculação para sinalizar ao corpo a necessidade de reter massa magra.
2. Como planejar o Cutting?
- Avaliação inicial
- Verificar o percentual de gordura para estabelecer uma meta (ex.: passar de 18% para 10% de BF em homens, ou de 28% para 20% em mulheres).
- Analisar saúde geral (colesterol, tireoide, função renal e hepática, possíveis intolerâncias alimentares).
- Deficit calórico
- Reduzir cerca de 300 a 500 kcal abaixo do gasto diário (TDEE – Total Daily Energy Expenditure).
- Ajustar de forma contínua conforme o progresso ou falta dele. Se o ritmo de perda for lento, pode-se diminuir mais as calorias.
- Macronutrientes
- Proteínas: manter níveis elevados (aprox. 1,6 a 2,5 g/kg de peso corporal) para suportar a retenção de músculos e ajudar na saciedade.
- Carboidratos: adequar de acordo com a sensibilidade individual, priorizando fontes complexas (arroz integral, batata-doce, aveia).
- Gorduras: necessárias para produção hormonal e saúde em geral. 20% a 30% das calorias diárias de gorduras saudáveis (azeite, abacate, oleaginosas).
- Duração do Cutting
- Pode variar de 4 a 16 semanas (ou mais), dependendo do nível de gordura e dos objetivos estéticos.
- A perda de peso ideal (para minimizar perda de massa muscular) situa-se em torno de 0,5% a 1% do peso corporal por semana.
3. Treino para Cutting
- Musculação intensa
- Mantenha ou até aumente ligeiramente as cargas, se possível.
- Continue priorizando exercícios compostos (agachamento, supino, levantamento terra, remadas) para recrutar diversos grupos musculares.
- Cardio moderado ou HIIT
- Treinos cardiorrespiratórios ajudam a aumentar o gasto energético diário, contribuindo para o déficit calórico.
- HIIT (treino intervalado de alta intensidade) é eficiente para acelerar o metabolismo em menor duração de treino;
- Cardio constante (moderado) também pode ser útil para queimar calorias adicionais sem exagerar na fadiga.
- Volume e frequência de treino
- Ajustar o volume (número de séries e repetições) para evitar overtraining, pois o corpo está sob déficit de energia.
- Recuperação adequada (descanso, sono de qualidade) torna-se ainda mais fundamental.
4. Estratégias alimentares e dicas
- Priorize proteínas magras
- Frango, peixe, claras de ovo, cortes magros de carne vermelha e whey protein podem ajudar a manter a massa muscular.
- Consumo inteligente de carboidratos
- Evite picos de insulina desnecessários, optando por carboidratos complexos.
- Ajuste a ingestão de carboidratos próximo aos treinos para maximizar performance e recuperação.
- Fibras e vegetais
- Ajudam na sensação de saciedade e no bom funcionamento do sistema digestivo.
- Alimentos como brócolis, couve-flor, alface, espinafre são pobres em calorias, porém ricos em micronutrientes.
- Acompanhamento do sódio
- O excesso de sódio favorece retenção hídrica, mascarando a perda de gordura. Entretanto, reduzir sódio drasticamente pode afetar performance. Equilíbrio é a chave.
- Refeições livres (cheat meals)
- Podem ser pontuais para aliviar a restrição psicológica e social da dieta.
- Use com parcimônia, evitando reverter todo o déficit calórico conquistado na semana.
5. Suplementação recomendada
- Whey protein: prático para aumentar a ingestão proteica, principalmente após os treinos.
- BCAA ou EAA (opcional): podem auxiliar na recuperação e evitar catabolismo, porém se sua ingestão de proteínas está alta, podem ser dispensáveis.
- Caseína ou proteína de digestão lenta: suporte noturno à recuperação muscular.
- Creatina: pode ser mantida no cutting para preservar força e volume muscular, embora alguns decidam suspender para evitar retenção hídrica discreta.
- Termogênicos (cafeína, green tea extract etc.): podem ajudar a acelerar ligeiramente o metabolismo e aumentar a energia, mas não substituem dieta equilibrada.
6. Como monitorar o progresso
- Pesagens semanais
- Preferencialmente sempre no mesmo horário (ex.: após acordar e urinar, antes de qualquer refeição).
- Olhe a tendência ao longo de várias semanas, pois o peso pode oscilar no dia a dia.
- Medidas e fotos
- Circunferência de cintura, quadril, braços, coxas.
- Comparações fotográficas quinzenais ou mensais são úteis para ver alterações na composição corporal.
- Avaliações de composição corporal
- Se possível, utilize bioimpedância, adipometria ou outro método para estimar a variação de massa magra vs. gordura corporal.
7. Principais desafios e soluções
- Perda de massa muscular
- Garantir treino de força intenso, ingestão proteica adequada e déficit calórico moderado.
- Suplementar BCAA/EAA e ter sono de qualidade auxilia.
- Fome e cansaço
- Elevar fibras (vegetais, cereais integrais) e água para sensação de saciedade.
- Pequenas refeições frequentes podem ajudar, mas respeite seu estilo de alimentação preferido (jejum intermitente, refeições mais volumosas etc.).
- Platôs
- Ao estagnar a perda de gordura, reduza mais um pouco as calorias ou aumente a intensidade/frequência do cardio.
- Avalie também diminuir carboidratos ou gorduras temporariamente.
- Falta de motivação
- Definir metas claras e realistas, acompanhar e comemorar cada pequena vitória.
- Contar com apoio de amigos, grupos online ou um profissional pode fazer diferença.
8. Cutting “agressivo” vs. “lento”
- Cutting agressivo: déficit calórico maior (ex.: 700–1000 kcal abaixo do TDEE) para perder peso rapidamente. Maior risco de perda de massa muscular e fadiga elevada.
- Cutting lento: déficit calórico moderado (300–500 kcal), perda de gordura mais controlada, maior preservação de massa magra e menor estresse fisiológico.
A melhor opção depende do prazo que você tem e da quantidade de gordura a perder. Em geral, recomendam-se abordagens graduais.
9. Conclusão
O cutting é uma fase decisiva para quem deseja uma aparência mais definida, evidenciando a massa muscular já conquistada. Para maximizar resultados e minimizar o catabolismo muscular, combine:
- Déficit calórico controlado
- Treinos de musculação intensos
- Consumo de proteínas elevado
- Cardio e estratégias de dieta adaptadas à resposta do corpo
A persistência, aliada a ajustes periódicos de dieta e treino, permite um cutting efetivo, de modo que a perda de gordura aconteça sem sacrificar duramente a massa muscular.